Quanta coragem devo ter
Para morrer e renascer
Cair em abismo avassalador
Despir meus sonhos e ficar nu
Erguer os pés desse meu chão
Voando em clima assustador
Quanta coragem devo ter
Para morrer e amar minha morte
Subir no trem sem maquinista
Que leva a caminhos desconhecidos
Deixar amores, deixar as flores
Desvelar a obra do Grande Artista
Vertigem, paralisia
Medo, dúvida, apatia
O ego em chamas, poço fundo
E sua implacável arbitrariedade
Desafiando a graça e o verbo de Deus
Que pulsa amor e abraça o mundo
Renasce então, Espírito, renasce!
Deite seu corpo na senda do mundo
Pois o mundo se deita nas mãos do Senhor
Sem culpa e sem pena, sem dor e prazer
Reage Espírito, liberta-te,
Que os anjos te estendem a mão com louvor
O que te apraz em verdade, Espírito de luz?
O que temes Espírito, se o temor é arrogância?
Que te prende à ilusão, ao apego, à ganância?
Crê, o jugo é leve, pois a mente se transforma
Ouve o brado da sua luta, viva sempre em reforma
Ouve o som da vida eterna, para onde Deus te conduz.
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