domingo, 15 de dezembro de 2013

Renasce



Quanta coragem devo ter
Para morrer e renascer
Cair em abismo avassalador
Despir meus sonhos e ficar nu
Erguer os pés desse meu chão 
Voando em clima assustador

Quanta coragem devo ter
Para morrer e amar minha morte
Subir no trem sem maquinista
Que leva a caminhos desconhecidos
Deixar amores, deixar as flores
Desvelar a obra do Grande Artista

Vertigem, paralisia
Medo, dúvida, apatia
O ego em chamas, poço fundo
E sua implacável arbitrariedade
Desafiando a graça e o verbo de Deus
Que pulsa amor e abraça o mundo

Renasce então, Espírito, renasce!
Deite seu corpo na senda do mundo
Pois o mundo se deita nas mãos do Senhor
Sem culpa e sem pena, sem dor e prazer
Reage Espírito, liberta-te,
Que os anjos te estendem a mão com louvor

O que te apraz em verdade, Espírito de luz?
O que temes Espírito, se o temor é arrogância? 
Que te prende à ilusão, ao apego, à ganância?
Crê, o jugo é leve, pois a mente se transforma
Ouve o brado da sua luta, viva sempre em reforma
Ouve o som da vida eterna, para onde Deus te conduz.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Inimigos do Ser

O que aconteceu com a gente?
Deus, sempre presente
tornou-se um ser pente
cabeça com cabelo
cabeça careca
dentro dela um algo vivente
que mete medo
que tenta
que mexe
te torna esperto
te torna inteligente
não é isso, mente?

Acorda e vem prá cá
esse lado da parede
ou do espelho
onde a sombra
ou o reflexo
estão no ponto zero
zero com ponto dentro
zero bola
ponto bola
DEUS de fato
sem estórias
nem histórias

Hoje
e apenas hoje
o fato É o que É
entre você e Ele
e amanhã
que nunca existe
e ontem
que nunca existiu
Ele te permitiu
com seu consentimento
viver apenas esse momento
apenas

Aproveite
se deleite
com ou sem leite
no copo ou deramado
não chore ou chore
seja o que for
observe ao seu redor
você e você
você e sua mente
aquela que te tenta
a sofrer
eternamente

Marcos Marques

domingo, 13 de outubro de 2013

Assassinos do Ser

Eu vi um assassino do ser
De frente pra mim
Ele atirou e eu consegui desviar
Mas ao mover pro lado eu não vi
A perna dele estava estirada
E me derrubou

Ele se teletransportou
Porque ele não é daqui
Ele vive no mundo dos mortos

Lá não existe razão
Não existe lógica
Existe a minha razão
Existe a minha lógica
E é isso é que é usado como armas contra mim

Quanto mais eu sei
Mas eu possuo
Golpes de todos os lados
Não sei se desvio
Não sei se abaixo
Não sei se eu pulo

Voar eu não posso
Mas sem as armas
Eles não poderão mais me matar

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Paz Joel


Hoje eu vi um amigo morto
Deitado em sua caixa de madeira
Enfeitado, de paletó e mãos cruzadas
Bem diferente da camiseta regata
E das mãos segurando o remo do caiaque
Fui à uma missa
Primeira vez que entrei em um Igreja Batista
Ele frequentava essa igreja
E eu não sabia
Pois ele nunca tentou me levar para lá
Coroas de flores me fizeram lembrar
Que na última sexta o vi colhendo flores na rua
Para levar para a esposa
Ela que bateu à minha porta para avisar:
Joel morreu.
PAZ.
Ponto Final.

Marcos Marques

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Desabafo de um ego


quem é você, espírito?
o que quer de mim?
eu, nascido homem nesta terra,
aliás, a única que conheço,
te pergunto se queres tomar meu lugar...
ouço falar que você sou eu...
ouço falar que eu não sou nada...
ouço falar que você é quem vive...
e eu sou uma farsa!
venha, então você, a ser essa farsa!
e me deixe, então, ser a realidade!
serei imortal!
serei deus!
serei EU!
e não você!
não me chame de maya
não me chame de nada
apenas não me chame!
me esqueça,
assim como quero te esquecer!
se sou nada, nada serei
se queres ser esse nada,
arranje outro nada para você ser
pois sendo nada, apenas esse nada
que ouço falar que sou,
me sinto tudo!
enquanto homem nascido nesta terra,
aliás, a única que conheço.

Marcos Marques

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Salve Jorge! Ou o dragão?


Olho para o céu
e meus olhos de carne enxergam nuvens
que formam imagens
agora vejo um dragão
e acho estranho ver um dragão
pois eu nunca vi um deles de verdade
só a representação dele
alguém inventou o dragão
e disse que ele era daquela forma
vejo esculturas
nuvens, como agora
tatuagens e bonecos e marionetes gigantes
e fimes e desenhos animados e folclores
e a informação é de que isso é um dragão
caraca
então o dragão existe!
porque todos concordam que “isso” é um dragão
que cospe fogo
que atazana príncipes
que prende princesas
que dançam músicas chinesas
que representam a soma de todos os animais
que são a besta
caraca
que imaginação incrível de quem inventou o dragão!
e que força tem esse alguém, que inventou o dragão?
porque ele, o inventor, ninguém sabe, ninguém lembra
mas o dragão está super vivo, super forte
comendo príncipes desavisados,
e mantendo vivas nossas faculdades imaginárias!
E Salve Jorge!
E Salve o Dragão!

Marcos Marques

sábado, 3 de agosto de 2013

O que será que vão pensar de mim?



O que será que vão pensar de mim?

Não me importa

Não quero saber

Não vejo pra que


E me preocupar com isso é o fim

Pois só posso viver

Só quero viver

A vida que eu tenho


Presto atenção no mar

Presto atenção no sol

Presto atenção no vento falando comigo

Função Espelho

Se alguem não gosta da hipocrisia
E se incomoda com a falsidade
Alimenta dentro de si a ideia
De ser superior ao próximo

E se alguem não gosta de mentiras
E as vezes se sente difamado
Espera encontrar em verdades
Pessoas que não possuem vaidade

Mas será mesmo, que é o mundo que precisa ser mudado por alguém?
O mundo não precisa de ajuda ele vive o que vier
Então vai ver que esteve o tempo todo dentro de você
Essa coisa que desperta e confunde o querer
O errado e o feio que a gente tanto vê
Ta dentro do peito guardado esperando um coitado
Pra levar a culpa
Pra descarregar essa raiva
Toda sua indignação

Se alguem não gosta de palavras fúteis
E se depara com a estupides
Carrega sempre a postura
De ser superior aos outros

E se alguém liga pra sujeira
E não tolera o desarrumado
Espera encontrar em verdades
Pessoas limpas sempre organizadas

Mas sera que a bagunça que nós vemos não é fruto da ilusão
De acreditar que o mundo possa ser, diferente do que é
Então vai ver que esteve o tempo todo dentro de você
Essa coisa que motiva e desperta pro viver
O correto e o belo que a gente tanto quer
Ta dentro do peito guardado esperando um sortudo
Pra levar a gloria
Pra descarregar essa alegria
Toda nossa redenção

Idas e Vindas do Amor

Eu tento ser
Politicamente correto
Quando me coloco em palavras
Tento ser sincero
Sem dizer tudo que passa na minha cabeça
Mas por favor
Não tente compreender a razão
Apenas acredite
Que este é um momento único
Livre de qualquer impressão
Que possa nos separar

Não me olhe por cima como quem procura alguma coisa pelo chão
Eu já sou tudo que eu preciso ser
Eu já tenho tudo que eu preciso ter

Ele brinca de esconder
Pra que possamos pensar
Que algo está faltando
Mas nunca se afasta de nós

Aqui ou em outro lugar
Tudo sempre será
Idas e vindas do amor

Revolução


Eu vejo tanto coisa

Eu sinto um movimento chegar

Um som de um novo tempo

Uma revolução

No modo de pensar

No modo de sentir


O momento esperado por todos

A hora do mundo regenerar

Estamos aprendendo aos poucos

Para uns aos outros amar

sexta-feira, 3 de maio de 2013

o que sou



Am                                       C
como a minha mente me engana
G                    D/F#    
me alerta
Am                    C
soa o alarme e tudo diferente
G                    D
mas igual outrora
Am            C
nada falta, nada sobra
G                         D
sempre na hora certa
Am                            C
um desvio, um solavanco
G                                  D
mil dimensões em mim
G               
e o que sou?
F#/A#        B
Sou não dialético
C           D
Sou dialético
            Em
Reto e torto
            A
Vivo e morto
              C
Tonto e besta,
       D                        G
Andando por aqui

Pulsos


D
Uma força
Dmaj7/A
Um impulso
G
Um pulso

D                            Dmaj7/C#
O que acontece parece real
        Bm      G
E o resto, sonho

        A
Um sopro
                           D/G
Um monte de expectativas
                  Dm/F
Um desespero sem razão
         A      
Um monte de papo
             D/G
Sobre a vida e a morte
                  Fmaj7
E sobre a morte em vida
                     G
Sobre o que ser ou não ser
         F
O poder de poder
             E
Sem poder escolher

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A estranheza é sempre novidade

A minha fé é o meu amuleto
É a minha angústia
É a minha bússola

As minhas verdades me aprisionam
Me pressionam
Me testam ao limite

As sensações variam
De ausentes a super-presentes
As vozes gritam e se calam

O coração bate, bate forte
E a respiração se mistura ao vento

Memórias viram mensagens
De alerta, de medo, de desejo

A felicidade e a tristeza
Se misturam, se dissolvem
A estranheza é sempre novidade

Será que é disso que preciso?


É preciso superar os limites
Para que a mágica aconteça
É preciso superar os desafios e as barreiras
Para que a realidade se transforme

É preciso coragem para observar os destroços
E recomeçar

É necessário o medo para se libertar
É necessário o desejo
Para se livrar dele

É preciso visão pra não perder os objetivos de vista
E memória para lembrar das trombadas

É preciso o mergulho e o impulso
Para romper a superfície
Para adentrar outros ambientes
Outros mundos, outras realidades

É necessária a abstração
Para compensar a nossa falta de sensibilidade

São necessários conceitos para
Fingirmos dar sentido a vida.

André Zuin

Eu mudo

O que sou
Não dá para explicar
O silêncio é tão bonito

Onde vou
Não tem como chegar
Os mapas só complicam

O que é
O que deve ser
Seria melhor calar?

Onde o querer
É só mais um
Dos sons que me invadem

O meu saber
Só é mais uma
Das minhas verdades

Em deixar ser
Não há mal algum
Viver a realidade

André Zuin

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Férias de Mim



Preciso de férias de mim
Pra falar a verdade preciso me dispensar de vez
Me demitir, sumir da minha vida

Esse mim está pesado
É simplesmente um fardo
Pesado, inútil e ultrapassado

Sei que pode parecer drástico,mas na verdade é apenas prático
O mim não merece ser reformado
Não pode nem ser reutilizado, apenas abandonado

E assim restarei só eu sujeito
E não mais apenas complemento
Eu substituta de mim!

Com plenos poderes e procuração autenticada,
    ... para desdizer o que mim disse,
    ...para desacreditar em tudo que mim acreditou,
    ...desaprender o que mim aprendeu...

Livre para conjugar o inconjugável
Livre para escrever sem forma
Livre para pensar sem lógica
Livre para viver sem sentido algum
Sem passado, sem futuro
Simplesmente eu
E longe de mim!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Um café me mudou


Estava eu
Numa manhã até com sol
E despedido de minha cor
Estava eu, numa manhã sem ver o sol
E tudo não se resolvia dentro do círculo
De paredes incolores, sem cor
Estava eu, a perturbar as gotas de paz
Observando querer resolver
Como eu, resolvendo o não cuidado?
Pois, eu, estava no controle dos comandos vazios
Destes que comandam só a cor
Estava eu, no imaginário de qualquer construção
Visando a própria dubiedade
E esquecendo mesmo da cor
Pois na minha mão havia apenas uma xícara
E dentro apenas um café
Que aguardava, ansiosamente, que o visse
Assim, o vi, e assim consegui me ver
Mesmo sem cor

Anderson DF

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vida


A vida é uma promessa
É uma historia contada
Por quem? Pra quem?
Uma tentativa de existir
Em meio a tantas existências
Mas você está só
Na promessa de uma re-união
Na tentativa de uma compreensão

É perfeito assim
É preciso se olhar
E Somente a partir de você
O mundo à volta se constrói
O mundo reflete seu eu
A multidão é uma ilusão
Da verdade do eu
O compartilhar é o
seu olhar através do outro

E continua o jogo da vida
A brincadeira da existência
Que te incute verdades desde cedo
Pra que você as incorpore
Lute por elas
Viva para elas
E depois morra por elas

Mas você pode morrer para elas
Pode desconstrui-las
Pode acordar para a vida real
E viver uma promessa a mais

Contudo, esse é um “processo” perigoso
Você pode se perder nesse meio tempo
Pode nao saber mais quem você é, foi ou será
Pode acreditar no tempo, nas vozes e na solidão
A promessa da vida vira então, a realidade de uma ilusão.

A Verdadeira Intenção


É dificil reclamar
Sem sentir alguma emoção
E acreditar que não posso gritar
Pra não me estressar
Gera o álibi pra culpa
Que se justifica na crença
Da língua solta na garganta
Pra me mostrar o perdão

Reclama do país
Se sente indignado
Reclama do amigo
E fica exaltado
Reclama do emprego
Se sente injuriado
Reclama do juiz
Se sente injustiçado

É difícil não falar
Ou guardar preso no coração
E acreditar que não posso chorar
Só vai me sub-julgar
Me submeter a conduta
Que se justifica no sonho
Preso na garganta desesperada
De quem não percebe
A verdadeira intenção

Levanta o nariz
Pra dizer quem é o certo
Detona o governo
Pra provar que é correto
Julga o culpado
E defende o inocente
Querendo saber tudo
Pra dizer que é feliz

Está tudo com a gente
Dentro desse sentimento
E a historia que nos contam
É apenas o contexto
Percebe a diferença
Entre quem vê um oponente
E daquele que se vê
Responsável pelo que sente?